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O Ocidente

O Ocidente - Artigo de Rodrigo Muller

O Ocidente é um termo bastante complexo de ser analisado, uma vez que possui diversas formas de analisá-lo. Por essa razão, Platão nos ensina que é necessário estabelecer um conceito fechado, mesmo que por um momento, para construção do significado.

Nesse sentido, pode-se analisar o ocidente como um processo civilizatório com mais de 30 séculos de história, cujas bases são a filosofia grega, a moral cristã e o direito romano. É preciso, então, analisar a construção dessa civilização para que saibamos as mazelas e como podemos combatê-las.

A construção do Ocidente

 A construção do Ocidente começa com a Batalha de Salamina, em 480 a.C, durante as Guerras Médicas. Naquele contexto, Ésquilo (poeta e filósofo grego) escreve o grito de guerra que marca o início da defesa do Ocidente, uma vez que os gregos reconheceram a defesa da nação, por entender que o multiculturalismo do Império Persa era prejudicial à manutenção da civilização grega. Como?

Ésquilo narrou a Batalha de Salamina e isso tornou-se uma obra clássica na literatura grega. Juntou-se o mito fundador de uma civilização com a realidade, e isso é fundamental para o imaginário da população, elemento necessário para a construção da identidade. Naquele momento histórico, o Ocidente começava a construir os seus heróis e um exemplo claro é o rei Leonidas I que ilustra a bravura e o heroísmo de um povo contra o seu verdadeiro inimigo. Isso é comprovado com a sua força na Batalha das Termópilas.

O Império Romano aperfeiçoou a ideia de lutar pela nacionalidade. Horácio disse “dulce et decorum est pro patria mori”. Nesse sentido, percebe-se, claramente, que a defesa da pátria, automaticamente, define inimigos os quais não podem penetrar nesse reino espiritual chamado de Civilização Ocidental.

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A Eneida de Virgílio é fundamental nesse aspecto, uma vez que é a primeira epopéia escrita para engrandecer a força de uma nação. Assim sendo, Roma desenvolveu um sentimento de pertencimento e união entre o povo e o senado, cuja amálgama é a sigla SPQR (Senatus Populusque Romanus). Com o avanço do Império Romano e a helenização, o Ocidente constrói a primeira pilastra de sustentação: a civilização greco-romana.

O Surgimento do Cristianismo

O Cristianismo surge no auge da pax romana e altera os rumos da civilização ocidental. A Verdade revelada em Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe a nova aliança e moral cristã, por meio da Santa Madre Igreja. Com o esfacelamento do Império Romano do Ocidente, a Europa fica exposta às invasões bárbaras e, consequentemente, a civilização estava sob ataque.

No ano 500 a conversão de Clóvis é fundamental, pois sendo o Rei dos Francos e único rei cristão naquele momento, permite a emergência do primeiro reino cristão na Europa. Coube ao Reino Merovíngio a defesa da Europa contra a invasão muçulmana. E na Batalha de Poitiers no ano de 732, o ocidente conhece a importância da força militar e da manutenção da moral como armas contra os inimigos.

No século VIII, emerge a Dinastia Carolíngia e o líder Carlos Magno transforma a vida da civilização ocidental. Com a Revolução Carolíngia, a Europa recupera os escritos da literatura antiga e permite a propagação do conhecimento. Ao mesmo tempo, a Igreja Católica se consolida, permitindo que haja a conversão dos bárbaros e dos vikings. Assim sendo, a Europa, paulatinamente, se constitui como uma unidade cristã, na qual os princípios católicos são defendidos e propagados. Esse processo de evangelização do velho continente termina no século XIV com a eliminação completa do elemento mouro na Península Ibérica.

A fé cristã torna-se hegemônica na Europa e permite a estabilidade política do continente. Com o avanço das universidades e dos estudos, a Escola de Sagres trouxe novidades náuticas e, como já havia o espírito evangelizador, chegara o momento de adentrar nas águas do Oceano Atlântico. Nesse momento, Luís Vaz de Camões surge para fundamentar a belíssima obra Os Lusíadas, exaltando os feitos dos portugueses, levando a cristandade para além da Tapobrana. A chegada dos europeus ao novo continente é semelhante à chegada em Jerusalém, uma vez que o objetivo era encontrar a terra prometida.

A Grande Confusão Moderna

No limiar entre a Idade Medieval e a Idade Moderna, a civilização ocidental começa a sofrer com aquilo que Eric Voegelin chamava de “a grande confusão”. A corrupção da moral e os constantes questionamentos sobre Deus, levou alguns a se distanciarem de toda tradição acumulada e, consequentemente, abriu espaço para a emergência de um pensamento contrário a todo o ensinamento anterior. O Iluminismo humanista trouxe novos princípios e valores, argumentando que o ser humano é uma folha em branco e, por essa razão, é passível de romper com o passado e criar uma civilização completamente nova.

A Revolução Francesa de 1789 é produto do pensamento revolucionário, uma vez que, em nome de princípios e de uma sociedade abstrata, uma parte da população pega em armas para destruir a ordem estabelecida. Como resultado, a Era do Terror matou mais de 20 mil pessoas, inclusive o Rei Luís XVI foi decapitado. Era, portanto, nas palavras de Edmund Burke, um momento no qual as tradições estavam seriamente ameaçadas e, consequentemente, todo o conhecimento passado. Nesse sentido, pode-se notar o enfraquecimento da Europa.

O romantismo, principal corrente literária da primeira metade do século XIX, é a resposta da Civilização Ocidental ao iluminismo. Ao afirmar que os países possuíam tradição, valores e princípios, os intelectuais como Goethe tinham como objetivo contrapor os valores universais da Declaração Universal dos Direitos do Homem. É no contexto da restauração que a cultura europeia ganha sobrevida e, por essa razão, consegue sobreviver até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, ainda que o ovo da serpente já estava sendo gestado.

A Primeira Guerra Mundial liberta as ideologias darwinistas, niilistas, comunistas e freudianas que, então, solapam as bases da civilização ocidental. Esses pensamentos levaram à formação dos regimes totalitários: o nazismo e o comunismo. Essas ideologias tinham como objetivo criar o paraíso na terra, uma vez que, nas palavras de Nietzche “Deus está morto”. Com isso, o derretimento moral acelera-se e a Europa torna-se incapaz de continuar liderando a defesa da Civilização Ocidental. Assim sendo, coube aos Estados Unidos ser o responsável pela defesa dos valores fundacionais do Ocidente.

O catolicismo é a única possibilidade de recuperar a espiritualidade e civilização na Europa e, consequentemente, fazer com que Deus ocupe o pensamento e as profundezas dos corações dos homens em primeiro lugar. Essa é a receita para que o Ocidente se recupere da fraqueza e volte a se firmar como terreno espiritual que sempre foi.


Rodrigo Müller do Valle é Historiador e Internacionalista. Palestrante e professor de política, filosofia e história. Analista político, Escritor e Assessor Político.

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