Elegem governantes, ampliam sua presença por todos os poderes do Estado, dirigem empresas, tratam enfermos, educam e encontram-se nos esportes, na cultura, na música, etc.
Vivem e trabalham em bairros ricos e pobres e inclusive alcançam centenas de localidades espalhadas pela Amazônia, sem com isso ter que render culto a Pachamama.
Seus templos brotam de norte a sul, de leste a oeste; tanto em territórios rurais como em áreas metropolitanas.
Não, não são os católicos da Idade Média, mas evangélicos brasileiros, ou seja, os católicos descontentes da Igreja, fartos da “teologia da libertação”, do progressismo e do “não-proselitismo”.
É isso que atesta o próprio jornal Clarín em um recente artigo.
“Crescemos porque pregamos, sem nenhuma timidez e sem medo. Pregamos na rua, na TV, na rádio. Pregamos para o vizinho. Falamos do amor de Deus para nossos parentes… Quando convertidos a fé evangélica, somos estimulados a cumprir o caminho de Jesus, que disse ‘ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura’. Então pregamos: eis o motivo do crescimento vertiginoso do movimento evangélico” – disse o influente pastor e deputado Marco Feliciano, interlocutor habitual do presidente Bolsonaro.
Trata-se de um fenômeno que se quadruplicou nos últimos 40 anos.
No final dos anos 70, quando o auge dos movimentos pentecostais tomaram velocidade, a Igreja Católica estava agitada na América Latina por causa da Teologia da Libertação e das chamadas comunidades eclesiais de base, que tinham como princípio central a “opção preferencial pelos pobres”, não por Cristo.
Assim, o povo cansou de não escutar sobre Deus, mas sobre os “oprimidos”, os “marginalizados”, os “discriminados pelo sistema”, os ricos contra os pobres, etc.; estava sedento de Deus, não de Marx. Eram as épocas dos Helder Camara, os Leonardo Boff, os Paulo Freire, etc.
Enquanto os teólogos da libertação católica faziam uma “opção pelos pobres”, os pobres faziam a opção por Cristo.
É o próprio ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo que assim declara:
“Quando a teologia da libertação apareceu, mais de 90% dos brasileiros eram católicos. Hoje são 50% e em queda. Os brasileiros – principalmente os pobres – rechaçaram o teo-marxismo e correram para as igrejas evangélicas, onde puderam falar de Jesus Cristo”.
O avanço evangélico também se verifica fortemente na política. Nas eleições de 2018 foram eleitos 91 parlamentares evangélicos, 13 a mais do que em 2014. Com essa eleição, o número de legisladores evangélicos na Câmara de Deputados passou a 112 (21% dos 513 deputados), enquanto que no Senado há 15 senadores evangélicos, 18,5% dos 81 membros do corpo legislativo.
Há 25 anos, apenas 4% dos deputados eram evangélicos.
Hoje os templos protestantes oferecem serviços de consolo espiritual, adoração, leitura e ensinamento da bíblia e atividades sociais, de caridade e de recreação para crianças, adolescentes e adultos. Há também hospitais evangélicos, universidades evangélicas, colégios evangélicos, meios de comunicação evangélicos, editoras evangélicas, colégios evangélicos, produtos alimentícios evangélicos e até moda evangélica.
“Somos milhões de cristãos. Desde ricos até pedreiros e empregadas domésticas. Estamos em todos os lugares. Chegamos onde o Estado não está. Trabalhamos em presídios, com as famílias dos presos, em orfanatos, temos casas de sopa, asilos para velhos, albergues para mendigos, para mulheres em risco” contou Fernando Larini, pastor da Igreja Evangélica Cristã Pentecostal, que funciona no estado do Rio Grande do Sul.
– “Claro – será dito -, mas são hereges, têm uma fé incompleta, pregam a teologia da prosperidade e não estão dentro da Igreja”, entre outras coisas.
Sim, isso é verdade, mas, quantos católicos, contando também os elitizados e que os têm cargos hierárquicos, estão dentro da Igreja sem estar? Pois nem todos os que estão na Cidade de Deus são da Cidade de Deus, dizia Santo Agostinho.
Os evangélicos no Brasil fazem tudo o que a Igreja sempre fez, mas – diferentemente do atual “modo de pregar católico” – não só dão testemunho com o exemplo, mas também pregam com a palavra, ou seja, fazem proselitismo; não têm medo. Pregam com parresia.
Queira Deus que aprendamos de uma vez o que há de fazer para recuperar o que perdemos.
Padre Javier Olivera Ravasi, SE.
Fonte: Que no te la cuenten