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Ecologia Integral na veia: Análise da fala do Bispo de Mogi das Cruzes

Bispo de Mogi das Cruzes - Campanha da Fraternidade 2025 - Ecologia Integral

Circulou na internet uma frase de Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes, onde, em favor da Ecologia Integral, tema da Campanha da Fraternidade 2025, deixa claro que a principal preocupação da Igreja não é a salvação da almas. Pode o leitor que desconhece o vídeo estar exclamando “Como?!”, mas transcrevamos o que foi dito:

Eu falei que o livro do Êxodo dá a base da Teologia da Libertação. A Campanha da Fraternidade é pura teologia da libertação. Libertar os idosos, libertar os abandonados, os presos e libertar também a criação, a natureza: cuidar da criação. Eu digo isso para terem cuidado também, porque tem católico por aí – católico leigo, católico padre e até um ou outro católico bispo – dizendo que a missão da igreja não é salvar a natureza; é salvar a alma. Tá certo isso? E quando não tiver mais gente, mais alma, vai salvar o quê, então? É para salvar a natureza, sim! “Deus viu que tudo era muuuito bom”. Aí vão aprendendo o canto da Campanha da Fraternidade, e se escutar alguém falando ao contrário, aí vocês decidam: Ou fica com quem fala o contrário, ou fica com a Palavra da Igreja. Aí vocês decidem (…).

Parafraseando o Nappa de Dragon Ball Z, pode-se tentar exclamar: “Isso deve ser um engano, esta transcrição deve estar errada”. Coloquemos, pois, o vídeo:

Pois bem. Realidade conhecida, fim das racionalizações (espero, mas seja como for, qualquer neurose residual não é responsabilidade minha) analisemos o que foi dito.

A Campanha da Fraternidade é pura Teologia da Libertação.

Dom Pedro Luiz Stringhini, obrigado por esta afirmação! Concordo 100% com o senhor! Sim. É de fato pura teologia da libertação! Cada vez mais católicos notam isso. Graças a Deus! Sim, graças a Deus!

O ponto é que, enquanto o senhor assume que isto é bom, os católicos de boa vontade – católico leigo, católico padre e até um ou outro católico bispo – notam que isso é herético! De fato, é PURA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, e nesta Campanha da Fraternidade 2025 especificamente, com o tal do ecologismo integral (como se o humanismo integral de Jacques Maritain já não fosse desgraça suficiente, conseguem piorar a coisa), não é necessário muito esforço para perceber isso.

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Com efeito, Nossa Senhora – assunta de corpo e alma ao Céu – está sendo substituída por uma entidade sem alma chamada “mãe terra”. Sacrilégio, sem dúvida, mas agravado por uma estupidez ideológica.

Libertar os idosos, libertar os abandonados, os presos e libertar também a criação, a natureza: cuidar da criação.

Confesso que eu ri quando li “libertar os presos”. Sabemos como a alma esquerdista gosta de bandido. Mas a bandidolatria não é o tema deste artigo. Vamos focar em “libertar a natureza: cuidar da criação”.

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Há aqui uma inversão que põe luzes à estupidez mencionada anteriormente. Ao dizer “libertar a natureza”, está implícito que ela deve ser “libertada” do homem. Contudo, a natureza – no sentido de criação – foi feita para o homem, e não o homem para a natureza. Na hierarquia da criação, o homem ocupa o topo da dignidade.

Então, sim, é dever do homem cuidar da natureza, já que devemos cuidar do que é nosso ou do que foi feito para nós. Isso é básico. Crianças com mais de 3 anos já começam a aprender isso. Contudo, há uma distância entre os verbos “cuidar” e “libertar”, sobretudo quando “libertar” está no léxico da Teologia da Libertação.

Tal libertação, como é próprio das ideologias revolucionárias, as quais amam fazer inversões, não pode senão causar danos e malefícios. Na teologia, causam heresias, entre elas a naturalista; na filosofia, estupidez, considerando inteligente o que não tem inteligência, castigador o que não tem vontade, em suma, considerando vivo o que não tem alma (xô mãe-terra!); na política, benefício ao elitismo do projeto globalista; na economia, aumento da desigualdade social1; na psicologia, histerias.

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Tem católico por aí (…) dizendo que a missão da igreja não é salvar a natureza; é salvar a alma. Tá certo isso? E quando não tiver mais gente, mais alma, vai salvar o quê, então?

Esta afirmação, à medida em que foi a que mais causou perplexidade e irascividade na alma dos católicos de boa vontade, na mesma medida foi a frase mais lógica do prelado. É uma lógica impecável e irrefutável. De fato, se não há mais gente – seja porque a natureza “se vingou” e matou todo mundo, seja porque o homem a destruiu imprudentemente, ou ainda a mescla das duas coisas -, não há mais alma para salvar. Logo, temos que salvar a natureza, sim!

Como refutar este raciocínio? Como refutar esta realidade? De fato, para que tenhamos vida, é necessário que certas condições ambientais sejam cumpridas. Sem oxigênio, morreremos asfixiados, por exemplo. Então, sim, a destruição do mundo causará o extermínio da humanidade e, exterminada esta, não há mais alma para salvar.

É irrefutável.

Contudo, sabemos por fé o seguinte: se por acaso isto ocorrer, significa que Cristo já veio para julgar os vivos e os mortos. Não haverá, de fato, almas para salvar, porque cada uma delas, ou vai estar condenada, residindo numa eterna queimada, sendo que o que queima não é árvore, mas o próprio ser, ou salva, contemplando Deus face a face, numa terra que mana leite e mel.

Isso não significa, porém, que devemos desprezar o cuidado com a criação. Como já foi dito, mesmo uma criança sabe que deve cuidar de suas coisas, a que não faz isso, diz-se, com razão, que é malcriada. Entretanto, o cuidado com a natureza é diferente da histeria ideológica do ecologismo integral. Nota-se isso pelo fato de que a segunda é antropológica, com Deus sendo um mero apêndice, e não o centro.

Aí vocês decidam: Ou fica com quem fala o contrário, ou fica com a Palavra da Igreja.

A Palavra da Igreja não é a palavra da Teologia da Libertação. Estamos diante de uma apropriação indevida. Esse tipo de carteiraço só engana os mais ingênuos que, por causa da autoridade do bispo, acabam aceitando a heterodoxia do mesmo, porque não distinguem o uso reto ou desviado da autoridade que detém. Mas, graças a Deus, tais carteiraços surtem cada vez menos efeito.

Assim sendo, eu fico com o que fala o contrário da Teologia da Libertação a fim de que eu fique com a Palavra da Igreja. Fiquem vocês aí idolatrando a mãe-terra que eu fico com a devoção à Nossa Senhora, a verdadeira mãe dos católicos.

Nota de Esclarecimento da Diocese de Mogi das Cruzes

Feita a análise do que foi dito. É dever de justiça noticiar que houve uma nota de esclarecimento, bem como apresentar a mesma. Eis:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Diante da repercussão e das mais variadas manifestações que se deram a partir da divulgação de um vídeo nas redes sociais, que contém algumas afirmações feitas pelo Bispo Diocesano, Dom Pedro Luiz Stringhini, a Diocese de Mogi das Cruzes, solidária e em estreita comunhão com o seu pastor diocesano, esclarece que:

1º – O fato deu-se na Igreja Catedral de Sant’Ana, ao final da missa e antes da bênção final, quando o senhor bispo intencionava motivar positivamente os fiéis à participação na Campanha da Fraternidade deste ano de 2025, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB. Diante das inúmeras críticas que muitos fazem à Campanha, o Bispo quis contestar estas críticas e mostrar que, apesar das mesmas, existem razões pelas quais é importante, na Quaresma, refletir sobre o tema proposto e motivar as pessoas a participarem do gesto concreto que é a Coleta da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos. A intenção do senhor bispo foi a de ressaltar que a Campanha da Fraternidade é, também, um convite a todos os fiéis a viverem intensamente a Quaresma, em suas paróquias, comunidades, grupos e famílias, para que a partir das reflexões feitas, possam contagiar toda a sociedade com a mensagem de Jesus Cristo.

2º – Em nenhum momento em sua fala o Bispo Diocesano deixou de afirmar que o tempo quaresmal reforça a importância da penitência, do arrependimento dos pecados, do esforço pela conversão (pessoal, mas também social), da meditação da Palavra de Deus e da nossa entrega total ao projeto de Jesus Cristo para nós. De forma alguma o senhor Bispo disse que a salvação das almas não seja a missão maior da Igreja. Quis, pelo contrário reforçar que “salvação das almas” não é algo abstrato, mas que salvar almas significa conduzir a humanidade a Deus, respeitando ao próximo, à vida, aos pobres, promovendo a caridade e o respeito à criação. A missão primordial da Igreja é o anúncio do Evangelho e a expansão do Reino de Deus, que é “um reino da verdade e da vida, reino de santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. A menção ao livro do Êxodo recorda a experiência de Deus que, através de Moisés, deseja a libertação de seu povo da escravidão no Egito rumo à terra prometida. A Páscoa é a festa da libertação da escravidão do pecado e da morte para a vida nova em Cristo.

3º – Desta forma, a partir destes esclarecimentos, roga-se aos católicos que mantenham o bom senso, o equilíbrio, a serenidade e saibam discernir bem as coisas, não se deixando levar por discursos de ódio e interpretações errôneas e distorcidas, permeadas de extremismos que tem por finalidade causar confusão, instaurar o caos e semear a cizânia. Tais atitudes são inaceitáveis pois visam relativizar a autoridade moral dos bispos e da Igreja, fazendo com que muitos se voltem contra os seus pastores. São sempre muito perigosos os caminhos das polarizações e do fundamentalismo. Inevitavelmente levam à divisão e ao conflito.
4º – Que a Quaresma, este tempo propício de penitência e de oração, ajude a todos, Igreja e sociedade, pastores e fiéis, a traduzir seus anseios em ações de amor e de solidariedade uns para com os outros, dividindo o pão com os necessitados, fortalecendo o espírito fraterno e cuidando com amor e responsabilidade da “nossa Casa comum”.

Mogi das Cruzes, 26 de março de 2025.

Comento:

Sobre o primeiro ponto: É belo e moral criticar a Campanha da Fraternidade 2025. Veja, por exemplo, a lobotomia que estão tentando fazer através da Via Sacra. Consequentemente, é uma boa obra não dispensar dinheiro na coleta do Domingo de Ramos. Mesmo porque, a ecologia integral não é a mensagem de Jesus Cristo.

Sobre o segundo ponto: Está escrito: “De forma alguma o senhor Bispo disse que a salvação das almas não seja a missão maior da Igreja”. Ou seja, a nota está metendo o louco.

Sobre o terceiro ponto: Concordo que devemos manter o bom senso, o equilíbrio, a serenidade. Concordo que devemos saber discernir. Por isso não posso deixar de notar que este terceiro ponto é uma clara tentativa de inversão de culpa e manipulação do sentido de “autoridade moral dos bispos e da Igreja“, porque, se há algum discurso de ódio nessa história, é o discurso que a ecologia integral faz contra a ortodoxia da doutrina católica. De fato, a ecologia integral é um discurso de ódio contra a teologia da Igreja. Assim, ao defender a primeira em detrimento da segunda – em nome da teologia da libertação, já condenada pelo Magistério da Igreja – o bispo não está exercendo sua autoridade moral de bispo, mas discurso ideológico. Como disse no artigo, esse tipo de carteiraço misturado com vitimismo é cada vez menos efetivo. É porque, e a Diocese de Mogi das Cruzes certamente o sabe, “a fé move montanhas”.

Notas:

  1. Como também é próprio da revolução, os efeitos práticos são o exato oposto do que alegam em teoria. Os “teólogos” da libertação creem que são “libertadores” dos pobres, mas sua ecologia integral atende diretamente ao interesse dos ricos e poderosos. Os multibilionários globais agradecem. A agenda ecológica não agride ao grande capital, mas ao pequeno. O grande capital tem meio de lidar com a burocracia, que só é aumentada quando entra a ideologia ecologista em cena, enquanto que o pequeno é sufocado por essa mesma burocracia. O excesso de regulação encarece as coisas, inclusive o preço dos alimentos. Ora, o rico pode lidar com esse aumento; o pobre, por sua vez, fica mais refém do assistencialismo, ou seja, mais distante da aquisição de bens, fica mais empobrecido. ↩︎

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Augusto Pola Júnior

Vice-presidente do Instituto Santo Atanásio, seu maior interesse de estudo é psicologia (em especial a tomista) e espiritualidade. Possui especialização em Logoterapia e Análise Existencial e em Aconselhamento e Orientação Espiritual.
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