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Entrevista com Dom Nicola Bux: “Missa em latim, contribuição para a unidade cristã”

Dom Nicola Bux rezando a missa em latim
Por Simone Ortolani

“A difusão da Missa na forma extraordinária não pode parar: é um sinal dos renascimento do sagrado nos corações. Também é uma contribuição para a unidade dos cristãos, especialmente dos ortodoxos”. La Bussula entrevistou Dom Nicola Bux em um contexto onde prosseguem os rumores sobre o cancelamento do motu proprio Summorum Pontificum: “Levando em conta o alvo dos que assistem à Missa em Latim, jovens e convertidos, as palavras do Papa sobre a rigidez dos que são apegados às formas do passado são uma contradição”.

Prosseguem os rumores que não são desmentidos pela Santa Sé sobre a vontade do Papa Francisco de introduzir restrições à liberdade de celebrar a Missa Tridentina. La Bussola fala sobre o assunto com o teólogo Dom Nicola Bux.

– Dom Nicola, qual sua opinião sobre esses boatos insistentes?

Seguramente é inegável que há um contexto de aversão ao rito romano antigo, o que denota uma crise de fé. Em um ensaio de 1959, Joseph Ratzinger observava que a Igreja estava se tornando “uma Igreja de pagãos que ainda se dizem cristãos, mas que na realidade há muito tempo se tornaram pagãos”. O que aconteceria se um patriarca ortodoxo recusasse o rito bizantino? O paradoxo é que isso acontece enquanto o Papa postula um “regime sinodal”, como se costuma dizer, no qual toda Igreja deve se aventurar, começando pelas periferias.

– O Papa Francisco frequentemente critica os “cristãos rígidos”. Paradoxalmente, a atitude recente de uma parte do Vaticano que está em confronto com os católicos tradicionalistas não revela uma certa rigidez excessiva contra eles?

O que se deve entender por rigidez? Firmeza de adesão à doutrina da fé e da moral? Sabemos que ele não gosta da identidade em geral e da identidade católica em particular. Ele escreveu que prefere o pensamento incompleto, isto é, fluído, portanto, fraco. É algo que não abençoa a virtude da fortaleza, da firmeza. Recorda Newman que, em período como esses, “a tradição divina confiada à Igreja infalível foi proclamada e preservada muito mais pelos fiéis do que pelo episcopado”.

– Quando o Papa Ratzinger promulgou o documento, o patriarca de Moscou, Aleixo II, felicitou o Pontífice. Em uma entrevista com Andrea Tornielli em 29 de agosto de 207, o chefe supremo da Ortodoxia Russa afirmou que “a recuperação e a valorização da antiga tradição litúrgica é um fato que nós saudamos positivamente”.

As Igrejas Ortodoxas conservam este senso da Tradição, que a Igreja Católica enriquece com o Magistério. De fato, o patriarca russo considerou o ato de Bento XVI uma contribuição à unidade cristã, que se nutre propriamente da tradição guardada: o efeito é a resistência à perseguição, graças a firmeza da fé, que se alimenta propriamente da liturgia. A história das Igrejas Orientais, impedidas pelo Comunismo de exercer sua missão, resistiu graças à liturgia tradicional assiduamente celebrada. Uma liturgia de ferro, e não de borracha – como escreveu Civiltà Cattolica em 2000 – é aquela que pode resistir e transmitir a fé. Também vimos isso acontecendo durante o contágio da Covid 19. Bem-vinda, portanto, a “rigidez”, que é a fortaleza da atual resistência dentro e fora da Igreja.

– O antigo Rito Romano e as liturgias da tradição bizantina têm características comuns?

Por ter estudado, ensinado e celebrado o rito bizantino, posso dizer que os estudantes ortodoxos se encontram mais na forma do rito romano antigo do que no novo pós-conciliar, precisamente porque têm muitas características comuns: por exemplo, a preparação do sacerdócio e o ofertório, em uma palavra, o sentido do sagrado. A questão é que poucos conhecem a liturgia bizantina: por exemplo, eles jamais viram a preparação e a investidura do sacerdote, ou mesmo o sugestivo rito do ofertório. Por outro lado, quem conhece essas duas fases do rito romano antigo, e depois acessa o bizantino, subitamente reconhece as semelhanças e percebe a razão da alegria do patriarca.

– A eventual abolição do Motu Proprio Summorum Pontificum terá repercussões sobre o diálogo ecumênico com as Igrejas orientais que estão separadas da comunhão com Roma?

Dando uma olhada para o ecumenismo atual, não parece que alguma coisa vai se mover para além dos abraços e dos sorrisos. Isso que você recorda é verdade, mas a própria Igreja Russa mostra “rigidez” doutrinária e moral, pelo menos em alguns aspectos. O papa Francisco, em um briefing jornalístico de alta repercussão, elogiou a tradição litúrgica dos Orientais; pouco tempo depois, indicou entre as tentações “o desdobramento que se aproxima da forma do passado para encontrar títulos perdidos; e a pretensão daqueles que querem defender a unidade negando a diversidade, humilhando assim os dons com os quais Deus continua a distribuir para tornar sua Igreja jovem e bela…” (Discurso à 66ª Assembleia Geral da CEI, 19 de maio de 2014). Não sei a quem ele se referia, uma vez que o público que frequenta a Missa na forma extraordinária é composto principalmente por jovens, e que a unidade e a diversidade são constituídas de tradição e inovação: por isso, ele se contradisse. O que é certo é que os convertidos são atraídos pela liturgia antiga. Além disso, o que dizer das numerosas vocações sacerdotais e religiosas que daí decorrem?

– O Motu Proprio de 2007 produziu uma certa reconciliação litúrgica, permitindo que coexistam pacificamente os eclesiásticos e leigos que rezam segundo a mais remota tradição litúrgica e eclesiásticos e fiéis que seguem os ritos reformados depois do Vaticano II. Por que interromper essa paz litúrgica?

A ligação entre o sensus fidelium e o magistério encontra-se de modo particular na liturgia. A expressão muitas vezes repetida pelo Papa Francisco sentire cum Eclesia: sentir, provar e perceber em harmonia com a Igreja, precisa de um acréscimo: com a Igreja de todos os tempos. Bento XVI disse na França que tinha a intenção de favorecer a comunhão e a paz na liturgia com o Motu Proprio Summorum Pontificum. Se hoje se proibisse o que até ontem era considerado sagrado, quem assegura que o que a Igreja ensina hoje será verdadeiro amanhã? Na sagrada liturgia, é a fé que está em jogo, e “em matéria de fé, os batizados não podem ser passivos”.

– O Motu Propio Summorum Pontificum é universalmente considerado como um dos principais atos do governo do Papa Bento XVI. Abolir este documento jurídico não representaria uma violência moral contra um ancião tão ilustre e – ao menos em palavras – tão estimado também por tanto prelados e cardeais?

O Motu Proprio Summorum Pontificum sustenta o fato de que os sujeitos do sensus fidei são os membros da Igreja que celebram um “culto racional” e que aceitam o papel da razão iluminada pela fé em suas crenças e práticas. Na Igreja de hoje, porém, há quem entenda o culto divino como um entretenimento humano, um fundo sociológico. Estariam enfrentando um culto irracional. Aqui está o dissenso sobre a liturgia. Depois, deixando de lado as investigações que demonstram o desenvolvimento contínuo e  inexorável da forma extraordinária do rito romano, não se deve esquecer que, na história da Igreja, muitas vezes não foi a maioria, mas uma minoria, quem viveu autenticamente a fé para render-lhe testemunho. O perigo atualmente é que a Missa, a espiritualidade, se torne antropocêntrica e fiquemos sem poder celebrá-la, como aconteceu aos protestantes. A difusão da forma extraordinária, como toda verdadeira reforma, é tão imparável quanto o mar, é o sinal do renascimento do sagrado nos corações. A “reforma da reforma” é a retomada daquelas brasas que ardiam sob as cinzas de uma liturgia antropocêntrica.

Fonte: La Bussola Quotidiana

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