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O que o Will Smith deveria ter feito?

A vida imita a arte. Ironias da vida, todos sabemos do espetáculo que ocorreu na cerimônia do Oscar 2022. Espetáculo, cerimônia, Oscar? Trata-se de filme, né? Ironicamente, não. Narremos o ocorrido.

Estava no palco o comediante Chris Rock fazendo uma palestra sobre as virtudes infusas na alma que está em estado de graça e o modo como estas virtudes infusas se relacionam com as virtudes adquiridas/naturais? Claro que não. O comediante estava fazendo piada. Até aí, nada fora do lugar. No entanto, eis que o comediante fazendo comédia direcionou uma piada contra a mulher de Will Smith. Este ficou irritado, subiu ao palco e deu um tapão no roteirista de Todo Mundo Odeia o Chris.

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Show da noite. Mais repercussão do que qualquer premiação. Se tivesse sido ao som de Shallow Now, ficaria ainda melhor. Afinal, nada é tão ruim que não possa piorar.

Há quem defenda o comediante. Há quem diga que Will Smith estava correto em defender sua esposa. Eu só acho que Will Smith e a sua esposa poderiam ter ficado de fora desta polêmica negativa se tivessem lido São Francisco de Sales.

A piada de Chris Rock referia-se ao fato da esposa de Will Smith estar careca, e a razão disso é uma doença autoimune. Sabendo ou não da doença, o fato é que comediante disse que ela poderia ser escalada para um remake de um filme cuja protagonista fica careca. O nexo da piada é simplesmente esse: como a esposa do Will está careca e a protagonista de Até o Limite da Honra fica careca no filme, então a senhora Smith estaria apta para o papel que foi desempenhado por Demi Moore.

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Uma piada menos sofisticada do que a subversão feminista do referido filme, que aplica a fórmula de querer colocar a mulher não-feminina e machão como novo normal.

Deixemos, porém, de small talk. Vamos explicar por que o casal Smith deveria ter lido São Francisco de Sales. Se tivessem feito isso, independente de Will estar certo ou errado, não teria passado o vexame ofuscar com este episódio do tapa o seu inédito prêmio de melhor ator do Oscar.

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No capítulo VI da Parte III do seu Introdução à Vida Devota (Filotéia), São Francisco de Sales ensina que a nossa abjeção é uma oportunidade para o exercício de humildade. Com efeito, não só o reconhecimento de nossa abjeção, que pode ser física (como é o caso da careca da mulher) ou moral (nossas fraquezas e defeitos), mas também amar e comprazer-nos nela corresponde à perfeição da humildade. E isto não mediante uma pobreza de ânimo ou autocomiseração, mas “em vista da glória que devemos dedicar ao nosso próximo, preferindo-o a nós mesmos”.

Irritar-se com uma abjeção demonstra, portanto, uma falta de humildade, pois neste caso a pessoa se coloca como superior e não admite que seja criticada ou alvo de piada. É um comportamento motivado pela soberba.

Um outro mal anexo à abjeção é o seguinte: uma pessoa tem um cancro no baço; outra, no rosto; aquela só tem a doença, mas esta, além da doença, sofre-lhe o desprezo e a abjeção.

O exemplo de São Francisco de Sales é semelhante ao que ocorreu no Oscar, em vez do cancro, uma careca. Em seguida, o Santo continua:

Digo, portanto, que cumpre não só amar o sofrimento, que é o exercício da paciência, mas também que cumpre amar a abjeção, que é o perfeito exercício da humildade.

Ironicamente, ao se irritar com uma piada que usou uma abjeção física de sua esposa, Will Smith caiu ele próprio em uma abjeção moral:

Há mesmo faltas cujo único mal é a abjeção. A humildade não exige que as cometamos de propósito, mas que não nos inquietemos depois de cometidas; tais faltas são certas incivilidades, inadvertências e coisas semelhantes. Certamente quer a prudência ou a civilidade que as evitemos quanto está em nossas forças; mas, quando nos escapam, quer a humildade que as aceitemos em toda sua abjeção.

Isso quer dizer que, diante de uma abjeção física, ou cometendo uma abjeção moral, não fazer nada? Claro que São Francisco de Sales não é irrazoável quanto a este ponto:

Se tenho no rosto alguma moléstia vergonhosa e humilhante, hei de procurar-lhe a cura, mas sem esquecer a abjeção que daí me proveio (…). Se por inadvertência ou mau humor ofendi ou escandalizei alguém, repararei a minha falta, escusando-me com toda a sinceridade, porque, subsistindo a caridade, estou obrigado a destruir o mal o quanto puder.

Diante de todas essas explicações, o que Will Smith deveria ter feito? Em vez de se condoer com o mau humor da esposa que foi vítima de uma piada, deveria ter dito: “lembre-se do que São Francisco de Sales disse sobre a abjeção”, ou “este é um bom momento para exercer a paciência e praticar a humildade, esta abjeção pode balançar seu orgulho e vaidade, mas não consinta nisso. Não queira que eu, por causa de sua abjeção física, cometa pratique um ato que trará para mim uma abjeção moral”.

É basicamente isso. De abjeção em abjeção, pelo menos este episódio do Oscar me deu oportunidade para relembrar este ensinamento de São Francisco de Sales.

Disso podemos tirar um critério interessante para a vida. O bom humor geralmente é um possível sinal de humildade quanto à disposição interior em lidar com um problema; o mau, de soberba. Não é sem motivo que os terapeutas ficam felizes quando percebem que seus pacientes já estão fazendo piada de si mesmos. Ainda que não saibam explicar exatamente o porquê, pressentem que é um sinal de melhora e progresso. E de fato é um bom sinal, pois mostra que a alma do paciente está se tornando mais humilde, e a humildade é uma bela de uma virtude. Foi o que faltou nesse episódio do Oscar.

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Augusto Pola Júnior

Vice-presidente do Instituto Santo Atanásio, seu maior interesse de estudo é psicologia (em especial a tomista) e espiritualidade. Possui especialização em Logoterapia e Análise Existencial e em Aconselhamento e Orientação Espiritual.
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