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Sermão de ação de graças pelos MALES recebidos (Padre Javier Ravasi)

Fresco do Renascimento que descreve Jó, atormentado por feridas, visitado por seus amigos
Por Padre Javier Olivera Ravasi

Se recebemos das mãos de Deus os bens, por que não vamos aceitar também os males? (Jó)

Fim de ano e Deus quis que o passássemos em família, ou melhor, entre várias famílias.

Muita água correu este ano sob a ponte: dores e alegrias, esperanças e algumas poucas conquistas.

E Deus quis que tudo assim se sucedesse.

Contudo, devemos dar graças a Deus, inclusive pelos males.

Dar graças a Deus pelos males?

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Sim, como disse São Paulo, somos obrigados a “dar continuamente graças a Deus, pois a vossa fé cresce muito, e a caridade que tendes uns pelos outros aumenta em cada um de vós(2 Ts 1,3).

Mas, Por quê? Para que? Como podemos nos alegrar nos padecimentos?

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Porque, como continua o Apóstolo: “elas são o sinal do justo julgamento de Deus: é para vos tornardes dignos do Reino de Deus, pelo qual sofreis” (2 Ts 1,5).

Não se trata de masoquismo, nem de um derrotismo, mas de seremos cristãos autênticos; de sermos (pelo menos tentar ser) “outros Cristos”.

Todavia, também deveríamos dar graças pelos males? Sim, também dos males por que temos padecido, porque mesmo eles são o que nos levarão ao céu, já que “tudo coopera para o bem dos que amam a Deus”.

É fácil dizer, mas é difícil fazer; bem sabemos; porque é ir contra a carne, é ir contra nosso próprio desejo natural, contudo se trata de um mistério central de nossa Fé. Os bens são gratuitos e os males também e, se nos chegam, temos que aproveitá-los como se aproveita o vento em alto mar, ainda que tenhamos grandes remadores. É a Cruz que redime tudo o que toca, mas sempre está em nós a responsabilidade de fazermos uso dela, ou seja, depende de nós como a carregamos.

É preciso dar graças a Deus, então…

1) Graças pelos pecados que cometemos: porque, no final das contas, como disse Santo Agostinho, tudo contribui para o bem dos que amam a Deus, inclusive nossos pecados. Foram eles que, muitas vezes, permitiram que nos déssemos conta de nossa fragilidade, de nossas misérias e de quanto necessitamos da misericórdia divina.

Até deveríamos dar graças a Deus pelas vezes que estivemos em estado de pecado e Deus nos recebeu na confissão, mantendo-nos com vida até esse momento, sabendo que o Senhor não nega a graça a quem o pede, já que, como diz o Salmista, “um coração contrito e esmagado, ó Deus, tu não desprezas” (Sl 50)

2) Graças pelas enfermidades que nos mandou: seja a nós ou a nossos entes queridos; a enfermidade permitiu-nos sofrer com paciência, auxiliar a nossos pais, irmãos, parentes, visitando-os e compadecendo-nos das dores do corpo…; É aquilo que perguntaram a Nosso Senhor ao ver passar um homem cego de nascença:

“Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?” Jesus respondeu: “Nem ele e nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus” (Jo 9, 2-3)

3) Graças porque alguns se foram: choramos, assim como Cristo chorou por Lázaro (“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”; Mt 5,5); mas sabemos, como Santa Marta, que eles ressuscitarão no fim dos tempos, como disse Nosso Senhor: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11, 25); iremos nos encontrar com eles, se eles foram, e também nós formos, fiéis à graça de Deus. Eles agora intercedem por nós que estamos neste vale de lágrimas.

Além disso, a morte de nossos entes queridos nos permite pensar na urgência de nossa conversão.

4) Graças pelas incompreensões, especialmente pelas que sofremos por partes dos entes queridos: é a família que nos atingiu desse modo; são estes amigos ou companheiros que devemos suportar; E é ótimo que tenham conseguido nos atingir! Embora tudo pareça de cabeça para baixo, embora muitos momentos o nosso entorno seja parecido com a da Família Adams, sabemos que é isso o que, em parte, vai nos levar até o Céu.

5) Graças porque alguns não puderam estar aqui: há entre nós aqueles que deverão festejar sozinhos, afastados, perseguidos, mas com a alegria de saber que estão cumprindo com a misteriosa vontade de Deus. Afastados por vontade própria ou por vontade alheia, mas afastado no fim.

Peçamos para que Deus seja sua companhia.

Haverá quem passe esses dias sozinhos, perseguidos; a eles vale a oitava bem-aventurança:

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,10).

Além disso, há a bela poesia de Gracian:

“Triste coisa é não ter amigos, mas mais triste
deve ser não ter inimigos, porque quem não tem
é sinal de que não tem talento que lhe faça sombra,
nem valor que o faça temido,
nem honra para que dele murmurem,
nem bens para que sejam cobiçados,
nem fatos bons que lhe invejem”

“Dai graças a Deus todo o tempo”, entoava o salmista. As graças devem ser dadas a Deus, porque Ele veio ao mundo como a luz que resplandece nas trevas, para que nós deixássemos de caminhar nelas e compreendêssemos que, em grande parte, os sofrimentos são parte da luz da Cruz. Se damos graças a Deus, inclusive nas tribulações, é sinal de que somos verdadeiros filhos seus e, deste modo, o mundo reconhecerá, por nossas obras, que somos “distintos”, que somos filhos de Deus:

Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mt 5,16)

Graças Senhor por estes males entre os quais nos fazes semear com lágrimas, pois sabemos que – se permanecermos fiéis – colheremos entre cantares!

São eles o que nos levarão ao Céu, por isso peçamos a Virgem Maria, Mãe de Deus, que nos permita habitar em nossa carne aquela bela frase com que o Senhor termina o Sermão da Montanha:

Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus (Mt 5,12).

Padre Javier Olivera Ravasi, SE
31/12/2019

Fonte: Que no te la cuenten

Sobre Padre Javier Olivera Ravasi

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