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Análise da Cartilha de Orientação Política da CNBB Sul 2 (Eleições municipais 2024)

ISA ContraTalk #04: CNBB Sul 2 lança cartilha de orientação política

Recentemente foi ao ar o ISA ContraTalk, programa de opinião e análise do Instituto Santo Atanásio, em que se foi analisada a Cartilha de Orientação Política lançada pela CNBB Sul 2, por ocasião das eleições municipais de 2024. Além de trazer o referido episódio (ContraTalk #04) abaixo, achei pertinente deixar as anotações que fiz para o programa, pois não falei tudo o que eu anotei.

Frase da Capa

“A Esperança não decepciona” (Rm 5,5)

A frase completa é: “E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado“. Trata-se, portanto, de uma virtude teologal que está sendo usurpada por um humanismo democrático, como se a esperança estivesse na política e não na graça santificante do Espírito Santo.

ISA CURSO: A Educação Cristã

Na Apresentação da Cartilha

“Votar é um dever cidadão e, para nós, que cremos em Jesus Cristo, é também um dever cristão, pois é uma das expressões da nossa fé”

Votar é expressão da nossa fé? A fé lida com as verdades reveladas por Deus. Enquanto votar é uma contingência da sociedade. Ora, devemos escolher nosso voto com a razão iluminando nossa fé, segundo os princípios cristãos, mas desta consequência prática não se tira que o voto seja uma expressão de nossa fé, mesmo porque, o objeto da fé, sendo uma virtude teologal, é Deus, e não a “democracia” ou a política. Com efeito, nem sempre votamos em um candidato que é conforme a Deus, pois, na maioria das vezes (para não dizer sempre), o que nos resta é a escolha do menos pior.

“Fiel ao Evangelho, a Igreja tem como missão primordial cuidar e defender a vida humana na sua integralidade. Isso se faz, concretamente, quando a política é exercida segundo seus mais nobres valores, que são a busca do bem comum, da paz, da fraternidade, da vida digna para todas as pessoas”.

Bem comum -> Ok
Paz -> É a consequência do bem
Fraternidade -> termo ambíguo, pode ser empregado tanto em sentido revolucionário-maçônico quanto católico.
Vida digna para todas as pessoas -> Está inserida dentro do bem comum

Mas não é missão primordial da Igreja fazer com que Cristo reine na sociedade e no coração das pessoas, sendo o bem comum não o fim a ser buscado por si, mas a consequência do Reino de Cristo no coração dos homens?

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Parte 1, seção 1: Espiritualidade Política

Confesso que é a primeira vez que me deparado com esse termo. No contexto católico, espiritualidade é a nossa relação com o Espírito Santo. Colocou-se o adjetivo política após a espiritualidade, soando estranho. Mas analisemos o que é o característico desta Espiritualidade Política:

  • Discernimento no Espírito Santo, diante das realidades e desafios; -> A consequência direta da espiritualidade é esta.
  • Escuta ativa dos outros; -> Hã?
  • Defesa da vida, desde a concepção até o seu fim natural; -> Excelente.
  • Respeito às diferenças; -> De que qualidade são essas diferenças? Diferença de credo (heresia) não merece respeito do católico, mas apologética. O mesmo pode ser dito para os valores cristãos e a defesa da lei natural. Diferença no time de futebol? Ok, pode-se respeitar esse tipo de diferença.
  • Respeito e cuidado com o meio-ambiente e a nossa Casa Comum; -> Se for sem o socialismo e a pseudociência implícitos que costumam estar nesse tipo de agenda, ok. (Um detalhe curioso nessa nova linguagem eclesiástica é que, para o católico, sua morada de fato está no céu. Quanto a esta “casa comum”, que é terrestre, somos peregrinos, ou seja, estamos apenas de passagem. Tal termo, portanto, facilita o ocultamento desta verdade evangélica: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar” (Jo 14,2).
  • Opção pela via da reconciliação, do diálogo e do perdão; -> Depende. Sem arrependimento não há perdão; na obsessão ao erro, na má vontade, não é possível diálogo; e sem propósito de emenda para conforma-se à verdade, não há reconciliação.
  • Acreditar na democracia; -> Um modelo de governo, que no Brasil é abertamente disfuncional, virou espiritualidade agora? Pelo próprio método filosófico se sabe que a democracia facilmente descamba em tirania, e que o governo de muitos é, na verdade, um governo oligárquico (e o primeiro vício não impede, senão que pode complementar, a hipocrisia do segundo). Ademais, “Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor” (Jr 17,5). Ora, a democracia moderna é laica, tendendo ao ateísmo. Não dá para fechar os olhos e ignorar que não é assim. Sendo assim, a cartilha está fazendo da democracia o seu braço e afastando o seu coração do Senhor.
  • Respeito pela Lei suprema da nação: a Constituição Federal de 1988; -> Estamos no contexto de “Espiritualidade Política”. O Espírito Santo está bem exigente, não? Que cheiro de clericalismo é esse? Estão sentindo?

Ainda nesta seção, a fim de gerar impacto, está a frase:

Banner - Fatima: Uma Aparição Politicamente Incorreta

“Conheço quem é de Deus não quando me fala de Deus e sim pelo modo de se relacionar com os outros”

Na verdade tem que fazer as duas coisas. Com efeito, a vida cristã é tanto testemunho (“a fé vem pela escuta” [Rm 10, 17], diz São Paulo) quanto exemplo (“sede meus imitadores” [1Cor 11, 1], como diz o mesmo Paulo em referência a Cristo).

Parte 1, seção 2: Será mesmo que Política, Religião e Futebol não se discutem?

“O outro que pensa e tem escolhas diferentes das minhas não é um inimigo que precisa ser derrotado, mas sim um irmão, digno de respeito pelas escolhas feitas livre e conscientemente”.

DEPENDE. Às vezes as escolhas podem ser livres e conscientes, e não serem dignas de respeito. Por exemplo: Uma feminista que defende o aborto. Na cabeça dela, ela tem seus argumentos (falaciosos, mas que para ela faz sentido) e, ao incentivar o aborto, o faz livremente. Ela é, portanto, uma inimiga da vida, da lei natural e, o que é mais grave, de Deus, sendo, portanto, nossa inimiga (e dos inocentes que estão no ventre materno), e precisa ser combatida e derrotada, pois a consequência da vitória dela é a ascensão da cultura da morte, que é anticristã.

“Quando temos uma opinião formada sobre qualquer assunto e ela é uma verdade inquestionável, não é possível
dialogar. Mas quando almejamos o bem comum, em vista de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, qualquer
assunto pode ser dialogado e discutido”.

Se é uma verdade de fato, ela é inquestionável e, portanto, dialogar (quando possível, presumindo a honestidade do outro lado, que na era subjetivista da pós-modernidade é material raro) é antes um método de convencimento e sobretudo de ensino para que o outro aprenda o caminho do bem comum. É que a busca do bem comum pressupõe o amor à verdade.

Parte 1, seção 3: Doutrina Social da Igreja

Diz a Cartilha que a Doutrina Social da Igreja “é baseada nos princípios do Evangelho e tem o objetivo promover a dignidade humana, a justiça social e o bem comum”

Agora, comparemos este jogo de chavões com a Imortale Dei do Papa Leão XIII:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente. […] Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”

Nota-se que entre a Cartilha da CNBB Sul 2 e o Papa Leão a dinâmica está invertida. De fato, o objetivo não é promover a dignidade humana, a justiça social e o bem comum, senão a penetração da sabedoria cristã nas leis, instituições, nos costumes, nas relações para que a consequência disso (e não a idolatria à democracia ou a Constituição de 88 numa “espiritualidade política”) seja a consecução – dentro do possível neste vale de lágrimas manchado pelo Pecado Original – da dignidade humana (que só é possível pela graça), da justiça social (que só é possível buscando primeiro o Reino de Deus e sua Justiça) e do bem comum (caridade fraterna, que pressupõe vida sobrenatural).

Em suma, o objetivo é a promoção da Religião Católica na sociedade para que disso resulte, na política, a dignidade, a justiça e o bem da nação.

Parte 1, seção 4: O que dizem os Papas sobre Política

“Só haverá uma verdadeira cooperação de todos para o bem comum, quando as diversas partes da sociedade sentirem intimamente, que são membros de uma só e grande família, filhos do mesmo Pai celeste, antes um só corpo em
Cristo e membros uns dos outros” (Quadragesimo Anno).

Pio XII foi cirúrgico. Meu comentário é só para evitar alguma imprecisão ou má leitura. Uma pergunta deve ser feita, a saber, onde é possível ser “antes um só corpo em Cristo e membros uns dos outros”? E a resposta não é outra: na Igreja Católica. Portanto, esta frase de Pio XII deve ser lida em espírito católico, não em espírito sinodal ou ecumenista, que considera como “um só corpo” também aos hereges.

“O Estado […] deve proteger os direitos de todos os cidadãos, sobretudo dos mais fracos, como são os operários, as mulheres e as crianças. De igual modo, é dever seu indeclinável contribuir ativamente para melhorar as condições de vida dos operários” (Mater et Magistra, n. 20).

Desta frase de João XXIII, grifei o termo contribuir ativamente, porque não é pelo falatório ou propaganda política, mas pela ação política concreta que deve ser julgado esta proteção aos direitos dos cidadãos.

Os socialistas e comunistas dizem-se muito amigos dos operários. Contudo, ativamente, a contribuição do comunismo e do socialismo é o saque geral da nação e o aumento da pobreza geral (tanto material quanto espiritual).

“A religião cristã e as outras religiões só podem dar o seu contributo para o desenvolvimento, se Deus encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política. A doutrina social da Igreja nasceu para reivindicar este estatuto de cidadania da religião cristã” (Caritas in Veritate, n. 56).

Infelizmente Bento XVI se deixa levar por um “pouco” de ecumenismo nessa frase. Somente a religião verdadeira – como destacamos de Pio XII – pode contribuir ativamente (cf. João XXIII) para promoção do bem comum. As outras religiões, por causa do bem comum, podem ser toleradas, mas, nesse caso, elas não são contribuições ativas do bem comum, mas passivas, desde, é claro, que não atuem ativamente contra a Religião verdadeira.

É que a sociedade temporal se ordena não somente ao bem comum, mas também e sobretudo à sociedade eterna. Por isso, não basta Deus encontrar lugar na esfera pública, Jesus Cristo e sua Igreja é que devem não só ter lugar, mas também serem bússolas e guia moral na esfera pública.

Parte 1, seção 5: Economia de Francisco e Clara

No momento, desconheço o assunto. A cartilha não explica o que é, só faz menção de que existe essa proposta econômica.

Parte 1, seção 6: Compromisso do Eleitor Cristão

Diz a cartilha, em seu item 3:

“3. Diálogo e paz: observe se o discurso do candidato é conciliador ou agressivo, se ele sabe escutar e defender sua proposta sem ofender o outro”.

Mas em contrário, diz João XXII que é um dever indeclinável contribuir ativamente para melhorar as condições de vida dos operários.

É aquela história: a palavra cão, não morde. Bravata e propaganda são componentes tradicionais da péssima política brasileira. O estilo do candidato, se agressivo, se moderado, se de fala mansa, se de fala incisiva, importa menos que o caráter REAL do candidato.

Parte 1, seção 7: Papel da Igreja Católica nas Eleições

Boa seção.

Parte 1, seção 8: Candidatos são adversário e não inimigos

Depende o que está em jogo. Se são valores antagônicos, pode-se dizer que os candidatos são inimigos. Se são divergências prudenciais (discussão de meios para chegar a um fim que é bom), pode-se dizer que são adversários.

É evangélico a distinção do lobo com vestes de ovelha (cf. Mt 7, 15-20). Isso está presente na política (de que adianta ter uma postura mansa, se o coração é de lobo?). Ora, o lobo é inimigo da ovelha, enquanto que o pastor é o amigo e defensor dela. Portanto, o pastor é inimigo, e não adversário, do lobo. E podendo esta analogia ser aplicada à política, candidatos podem, sim, ser inimigos e não mero adversários.

Parte 1, seção 9: Tolerância entre as Diferenças

Diz a cartilha:

“No âmbito da política, mesmo que no seu julgamento o outro esteja totalmente errado quanto as suas ideias e escolhas, ele tem o direito de estar, e você tem o dever de respeitá-lo”.

Em contrário, diz Leão XIII (grifos nossos):

“em sua apreciação maternal, a Igreja, tem em conta o peso acabrunhador da fraqueza humana e não ignora o movimento que na nossa época arrasta os espíritos e as coisas. Por estes motivos, não concedendo direitos senão àquilo que é verdadeiro e honesto, a Igreja ainda assim não se opõe à tolerância de que os poderes públicos crêem poder usar a respeito de certas coisas contrárias à verdade e à justiça, em face dum mal maior a evitar, ou dum maior bem a obter ou conservar. O próprio Deus em sua providência, conquanto infinitamente bom e onipotente, permite não obstante a existência de certos males no mundo, seja para não impedir bens maiores, seja para evitar maiores males (…). Todavia, se nessas circunstâncias, com a mira no bem comum e só por este motivo, a lei dos homens pode e mesmo deve tolerar o mal, contudo nunca ela pode nem deve aprová-lo nem querê-lo em si mesmo, pois que o mal, sendo de si mesmo a privação do bem, é oposto ao bem comum que o legislador deve querer e defender do melhor modo que possa (Libertas Praestantissimum, em “A Tolerância da Igreja”).

Ou seja, a doutrina católica diz o oposto do “orienta” a cartilha: O erro não tem direito. No máximo, por causa da fraqueza humana, uma tolerância, mas jamais o respeito.

Parte 1, seção 10: Amizade Social

Síntese dos erros anteriores num só conceito humanista.

===

Parte 2, seção 5: ÉTICA

Diz a cartilha:

“No universo da política, a ética está relacionada à conduta dos candidatos e políticos, à transparência de suas ações, à prestação de contas à sociedade e ao respeito à democracia. O político que atua de forma ética demonstra respeito pelos cidadãos, buscando cumprir aquilo que prometeu, desenvolver seu trabalho com responsabilidade, em vista do bem comum de todos”.

Mas alerta Nosso Senhor: “Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8, 26).

Que aproveitará ao homem respeitar a democracia e, não respeitando a Deus e sua Única Religião, perder a sua alma?

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Augusto Pola Júnior

Vice-presidente do Instituto Santo Atanásio, seu maior interesse de estudo é psicologia (em especial a tomista) e espiritualidade. Possui especialização em Logoterapia e Análise Existencial e em Aconselhamento e Orientação Espiritual.
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