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O Método para conhecer as coisas como são (Lorenzo Scupoli)

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Fonte: Lorenzo Scupoli – Combate Espiritual – Capítulos VIII e IX

– Por que não discernimos claramente as coisas. O método para conhecer as coisas como são

A razão pela qual não discernimos as coisas de forma clara é que nos detemos nas aparências exteriores, às quais logo associamos sentimentos de amor ou de ódio que bloqueiam nosso entendimento, impedindo-nos de vê-las como realmente são.

Para não caíres nesse engano, conserva sempre a vontade purificada e livre de qualquer afeto desordenado Considera com discernimento e maturidade qualquer coisa que se apresente, sem permitir que o ódio te incline à rejeição (se for algo contrário às inclinações naturais), ou que o amor produza apegos indevidos (caso se trate de algo agradável).

Assim, livre das paixões, o intelecto pode conhecer com clareza a verdade, perceber o mal oculto sob uma falsa aparência de prazer e o bem encoberto por uma aparência de mal.

Mas, se a vontade de inclina primeiro a amar ou a odiar as coisas, o intelecto não pode conhecê-las bem, porque as paixões se interpõem e o ofuscam, fazendo-o estimá-las de forma errada, e representá-las dessa forma à vontade, que então se move ainda mais ardentemente a amar ou a odiar as coisas, sem qualquer consideração das leis da razão e da ordem.

Por causa das paixões o intelecto fica cada vez mais obscurecido, e essa obscuridade alimenta o engano da vontade em seus amores e ódios, de tal forma que, se não for observada a regra que te vou dar, essas duas faculdades humanas tão nobres, a inteligência e vontade, irão tropeçar e cair miseravelmente em trevas cada vez mais profundas e em erros cada vez maiores.

Portanto, minha filha, guarda-te cuidadosamente de todo afeto exagerado por qualquer coisa que não tenha sido primeiro examinada e reconhecida pelo qual realmente é, à luz da inteligência e mais ainda à luz da Graça, pela oração, e conforme o parecer do diretor espiritual.

Isso deve ser observado de forma especial na prática de algumas obras exteriores, que são boas e santas, mas que, por isso mesmo, acarretam par anos um risco maior de engano ou de indiscrição. Pois pode acontecer que, por alguma circunstância de tempo, de lugar ou de medida, a prática dessas obras santas e louváveis resulte em grande dano, como se sabe de muitos casos.

– Uma outra coisa da qual se deve preservar o intelecto para poder conhecer as coisas como são

A outra coisa da qual se deve preservar o intelecto é a curiosidade, porque, se o ocupamos com pensamentos nocivos, vãos e impertinentes, tornamo-nos incapazes de reconhecer o que é melhor para alcançar a perfeição. Por isso, deves renunciar totalmente qualquer interesse por coisas que não sejam necessárias, mesmo que sejam lícitas.

Conserva, pois, restrito o teu intelecto o quanto puderes, e alegra-te por mantê-lo assim. As novidades e vicissitudes do mundo, grandes ou pequenas, devem ser para ti como se não existissem, e, quando se apresentarem, não lhes dê ouvido e desvia os olhos.

No que se refere ao entendimento das coisas celestes, faz-te sóbria e humilde, não querendo saber nada além de Cristo crucificado (1 Cor, 2,2; Gl 6,14; 1 Cor 1,23), sua vida e morte e o que mais ele te pedir. Conserva-te longe de todo o resto e farás algo muito agradável a Deus, que aprecia como filhos queridos aqueles que desejam somente a Ele buscam o necessário para poder amá-Lo e fazer a Sua vontade. Qualquer coisa além disso é amor-próprio, soberba e engano do Demônio.

Seguindo essa advertência poderás escapar de muitas insídias, porque a astuta serpente, sabendo que a vontade é forte e confiante nas pessoas de profunda vida espiritual, procura então confundir sua inteligência, para dessa forma dominar uma e outra. Ela o faz inspirando pensamentos elevados e extravagantes, que muito impressionam as pessoas de índole curiosa e viva, que facilmente se deixam dominar pela soberba, levando-as assim a deleitar-se em meditações que pensam ser profundíssimas, enquanto se esquecem de purificar o próprio coração; e assim, cheias de presunção e vaidade, fazem do próprio intelecto um ídolo e, gradualmente, acostumam-se a consultar, em todas as coisas, apenas o seu próprio juízo, persuadindo-se de que não precisam do conselho ou direção dos outros.

Esse é um grande perigo e é também um dos males mais difíceis de curar. É mais perigosa a soberba do intelecto do que a da vontade, pois a soberba da vontade, sendo conhecida pelo intelecto, pode ser facilmente curada pela obediência. Mas como poderá ser curado aquele que acredita firmemente que sua opinião é superior à dos outros? Como se submeterá ao juízo de outros aquele que acredita ser o seu melhor? Se o olho da alma, que é o intelecto, com o qual deveria conhecer-se e purificar-se da soberba, está doente, cego e também cheio de soberba, quem poderá curá-lo? E se a luz se transforma em trevas e a regra falha, o que será do resto?

Cuida, pois, de combater de imediato o vício da soberba, antes que ele se apodere da tua alma. Acostuma-te a sujeitar o teu juízo ao alheio e a amar a simplicidade evangélica com relação às coisas espirituais, e então serás mais sábias que Salomão.

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