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Summorum Pontificum em Perigo: “Não é possível parar um rio na enchente!”. Considerações sobre a possível mutilação do Motu Proprio

O conselho de Gamaliel

Carta que o Blog MiL – Messainlatino.it recebeu de um sacerdote sobre o discurso do Papa aos bispos italianos, vazado por fontes episcopais, a respeito da intenção de mutilar o Motu Proprio Summorum Pontificum [notícia que o Instituto Santo Atanásio traduziu aqui]. Segue a carta:

Recordemos o que disse Gamaliel nos Atos dos Apóstolos (At 5,34ss):

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Levantou-se, porém, um membro do Grande Conselho. Era Gamaliel, um fariseu, doutor da Lei, respeitado por todo o povo. Mandou que se retirassem aqueles homens por um momento, e então lhes disse: “Homens de Israel, considerai bem o que ides fazer com estes homens. Faz algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava um grande homem. A ele se associaram cerca de quatrocentos homens: foi morto e todos os seus partidários foram dispersados e reduzidos a nada. Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo consigo, mas também ele pereceu e todos quantos o seguiam foram dispersados. Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus

Caros amigos do Messainlatino,

Depois da recente notícia sobre a possível restrição do Motu Proprio Summorum Pontificum, espontaneamente um questionamento me surgiu: mas afinal, o Papa, com os Bispos – os quais também deveriam ter a tarefa de ler os sinais dos tempos – percebem que não é possível parar um rio na enchente? Eles até podem colocar represas temporárias, podem até atenuar um pouco o curso do rio, mas, mais cedo ou mais tarde, a enchente quebrará as margens e o rio irá majestosamente retomar o seu fluxo.

Dizem que historia magistra vitae, mas talvez esse adágio não tem tido valor no interior das paredes sagradas. Seria interessante se os Bispos se aplicassem a ver e estudar a história do Pós-Concílio, lendo-a sem os óculos turbulentos da ideologia progressista, mas sim com a humildade de quem precisa guardar um tesouro.

Não é minha intenção, nestas breves linhas, examinar toda a questão que envolve os nossos dias. Então eu farei apenas algumas rápidas considerações:

a) Parece que uma das motivações que pretendem apresentar para colocar o Motu Proprio Summorum Pontificum nas garras maléficas de bispos é a divisão e o “fervor” dos tradicionalistas. Não percebem que quanto mais os comprimirem, mais eles irão “ferver”? O fenômeno tradicionalista desenvolveu-se com cada vez mais força justamente pelas repressões que sofreu. O caso Lefebvre deveria servir de lição: após as ordenações de 1976 e 1988 e de sua excomunhão, foi necessário “correr para se proteger”, e o mundo tradicional encontrou um novo fôlego.

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b) Parece que uma das coisas que preocupa os nossos pastores é a escolha da Missa Tradicional pela parte dos jovens sacerdotes. Não perceberam que são precisamente os jovens que se aproximam cada vez mais do mundo tradicional? Jovens que viveram o período pós-conciliar e, muitas vezes, não foram doutrinados por aquele mantra que vê o latim como o inimigo número um da fé católica; diante do vazio da Liturgia hodierna e da pregação atual, eles voltaram-se para a Tradição em todas as suas expressões, encontrando na Divina Liturgia uma fonte pura de onde beber.

c) Outra acusação dirigida ao mundo tradicional é a rejeição do Concílio Ecumênico Vaticano II. Se se entende com isso que os tradicionalistas se recusam a aceitar o Vaticano II como o único concílio da bimilenária história da Igreja, então a questão fica evidente. Na realidade, o mundo tradicional rejeita – e não poderia ser de outra forma – os desvios que surgiram após a assembleia conciliar, e pede clareza quanto aos pontos que foram a origem de tais afastamentos da doutrina.

Haveria ainda muito a dizer, mas prefiro parar por aqui. Contudo, gostaria de destacar mais um ponto:

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Percebi que – pelo menos na Itália – após a publicação do novo Missal Romano e depois da distorção míope e caprichosa que os bispos fizeram na tradução de algumas partes da Missa (Glória e Pai Nosso, por exemplo), muitas pessoas começaram a se aproximar da antiga liturgia. Além disso, após a perversa decisão da CEI [CNBB da Itália] de dar a Sagrada Comunhão apenas nas mãos por causa da pandemia, as fileiras daqueles que não querem mais participar da Missa Novus Ordo aumentaram. Certamente devemos reconhecer: os nossos Bispos e a maior parte da hierarquia são de fato leitores atentos dos sinais dos tempos! Eles sabem como fazer as melhores escolhas… para esvaziar as igrejas.

Porém, uma coisa me consola: essas preocupações nos levam a refletir e a encontrar esperança. Uma classe dominante que é velha e míope (e, sejamos honestos, ao olhar para o episcopado italiano e estrangeiro, vemos que todos os bispos estão próximos do asilo) não tem uma vida longa, e um rio, por mais represado, canalizado e comprimido que esteja, sempre sabe como encontrar a sua estrada. Quando se quer forçar a água a não seguir o seu curso natural, mais cedo ou mais tarde, ela reencontrará seu caminho; quando se quer forçar os fiéis, o povo de Deus “infalível na crença“, mais cedo ou mais tarde, eles encontrarão a sua fé e darão as costas aos maus pastores.

É só uma questão de tempo! E… um rio em inundação não se pode deter.

Um sacerdote

Fonte: Messainlatino.it

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